Three stories intersect at a wax museum.
An homage to Amicus Anthology films.
http://nineteennocturne.libsyn.com/webpage/19-nocturne-boulevard-people-who-live-in-wax-houses
( WA ) -  Estados Unidos
Cover art by Julie Hoverson

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011


CBT

COMPROMISSO
Três aulas semanais do CBT – Curso Básico de Teatro,
Montar uma peça por mês, participando da produção e divulgação.
Participar ativamente do TPM – Teatro Popular de Mococa ‘Rogério Cardoso’.
Participar de gravações de curtas, médias, e longas metragens.
Participar de Mostras, Festivais e Concursos.

DISCIPLINAS
Historia do Teatro Brasileiro / Historia do Teatro Mundial
Preparação Vocal (através da participação efetiva em Canto Coral)
Expressão Corporal e Jogos Dramáticos
Estudos de Dramaturgia  / Fundamentos do Teatro
Interpretação / Psicologia da personagem / Voz e Expressão Verbal
Temas do Teatro Moderno e Contemporâneo / Escolas
Cinema / Vídeo e novas linguagens

METAS
Obtenção do DRT – registro profissional. * Depende de prova no SATED.
Produzir cultura cênica e audiovisual na cidade e região

DURAÇÃO
18 Meses
Direito a Certificação no final do Curso

INVESTIMENTO
150 reais por mês /  Inicio em Janeiro de 2012 / fim em julho/agosto de 2013
Mococa, 01 de dezembro de 2011

__________________________                     ____________________________
MARCO ANTONIO COELHO DE MORAES
Especialista em artes visuais pelo SENAC /  Pós Graduação
coelho.de.moraes@bol.com.br

sábado, 12 de novembro de 2011

Cultura dos editais O remédio amargo dos artistas



almandrade telescopio.spaceblog.com.br
O artista que passa o tempo recluso na solidão do atelier, trabalhando, desenvolvendo sua experiência estética, como um operário da linguagem e do pensamento, está em extinção. É coisa de museu. Ou melhor, é raridade nos museus de arte, hoje em dia, que estão deixando de ser instituições de referência da memória para servir de cenários para legitimação do espetáculo. Às vezes com míseros recursos que ficamos até sem saber, quando deparamos com baldes e bacias nessas instituições, se são para amparar a pingueira do telhado ou se trata de uma instalação, contemplada por um edital para aquisição de obras contemporâneas. O que interessa na política cultural nem sempre é a arte e a cultura, e sim, o glamour. Em nome da arte contemporânea faz-se qualquer coisa que dê visibilidade.
As políticas públicas foram relegadas às leis de incentivo à cultura e aos editais públicos. Nunca se fez tanto editais neste País, como atualmente, para no fim fazer da arte um suplemento cultural, o bolo da noiva na festa de casamento. Na fala do filósofo alemão Theodor Adorno: “As obras de arte que se apresentam sem resíduo à reflexão e ao pensamento não são obras de arte”. Do ponto de vista da reflexão, do pensamento e do conhecimento, a cultura não é prioridade. Na política dos museus, o objeto já não é mais o museu que se multiplicou, juntamente com os chamados centros culturais, nos últimos anos. Com vaidade de supermercado, na maioria das vezes eles disponibilizam produtos perecíveis, novidades com prazo de validade, para estimular o consumo vetor de aquecimento da economia. A qualificação ficou no papel, na publicidade do concurso.
Esses editais que bancam a cultura são iniciativas que vem ganhando força. Mostram ser um processo de seleção com regras claras para administrar o repasse de recursos, muito bem vendido na mídia, como um método de democratizar o acesso e a distribuição de recursos para as práticas culturais. Mas nem tão democrático assim. Podem ser um instrumento possível e eficiente em certos casos, mas não é a solução, é possível funcionar também, como escudo para dissimular responsabilidades pela produção, preservação e segurança do patrimônio cultural. Considerando-se ainda a contratação de consultorias, funcionários, despesas de divulgação, inscrição, o trabalho árduo e apressado de seleção , é um custo considerável, em último caso, gera serviços e renda.
O artista contemporâneo deixa de ser artista para ser proponente, empresário cultural, captador de recursos, um especialista na área de elaboração de projeto, com conhecimentos indispensáveis de processo público e interpretação de leis. Dedica grande parte de seu tempo nesse processo burocrático de elaboração e execução de projeto, prestação de contas, contaminado pela lógica do marketing, incompatível para o artista que aposta na arte como uma opção de vida e meio de conhecimento que exige uma dedicação exclusiva. Ou então, ele fica à mercê de uma produtora cultural, para quem essa política de editais e fomento à cultura é um excelente negócio.
Uma coisa é preocupante, se essa política de editais se estender até a sucateada área da saúde. Imaginem uma seleção pública para pacientes do Sistema Único de Saúde que necessitam de procedimentos médicos, os que não forem democraticamente contemplados, teriam que apelar para a providência divina, já engarrafada com a demanda de tantos pedidos. Nem é bom imaginar. Que esta praga fique restrita nos limites da esfera cultural, pelo menos é uma torneira que sempre se abre para atender parte de uma superpopulação de artistas / proponentes pedintes.
O artista, cada vez mais, é um técnico passivo com direito a diploma de bem comportado em preenchimento de formulário, e seu produto relegado ao controle dos burocratas do Estado e aos executivos de marketing das grandes empresas. Se o projeto é bem apresentado com boa justificativa de gastos e retornos, o produto a ser patrocinado ou financiado, mediano, não importa. O que importa é a formatação, a objetividade do orçamento, a clareza das etapas e a visibilidade, o produto final é o acessório do projeto. Claro, existem as exceções.
Almandrade  / Artista plástico, poeta e arquiteto

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

CALIGARI E SEU CÃO ANDALUZ


TPM EM 2001 ENCENANDO DEUS DE WOODY ALLEN

Coelho de Moraes

O CÃO ANDALUZ, de Buñuel, é marco da cinematografia, finca pilares e aponta possibilidades na arte. Obra de 1928. Antes disso, em 20, DAS CABINET, de Wiene mostrava experimentalismos radicais. Vemos nos dois as marcas da psicanálise, do onírico, da poética expostos na película.
Tensão – O olho cortado, Cesare saindo do armário, formigas que brotam da mão da personagem, o mago misterioso na feira apresentam tensão, obedecendo porém a valores diferentes. Alguns deles já eram tradição na literatura romântica.  DAS CABINET carrega a historia de maneira direta e linear comprometendo-se a ‘começar, ter meio e finalizar’, mesmo que o final seja surpreendente. O CÃO, por outro lado, mostra tensão na cena em si e por si, pois a edição de cenas com episódios estranhos, diferentes, e oriundos do inconsciente não se preocupam com a história cabível ao modo SydFeldiano de contar historias em hollywood.
Realismo – DAS CABINET é obra de clara inspiração expressionista e os mestres alemães pontificavam na retomada da arte cinematográfica como instrumento de estímulo da fantasia, além da normal ‘contação’ de histórias. Pessoalmente não conheço um filme alemão que se assemelhe ao CÃO em termos de simbologia, de sinais críticos, e liberdade de expressão. A história de DAS CABINET é imagem de uma realidade sombria que rola na cabeça dos pacientes do asilo onde todas as personagens vivem e interagem. Nada mais pé no chão do que a doença que remete a ao mundano viver; resolve-se no final. No CÃO ANDALUZ ancora-se a realidade na existência do casal que dá linha à pipa de Buñuel, além do fato de que as locações são naturais em ruas e espaços tradicionais.
Experimentalismo – A história do DAS CABINET é projetada sobre cenários alterados que nos remete à distorção da consciência dos pacientes do asilo. Dessa forma tais cenários são realistas para os pacientes mas foram criados pelo autor com intuito de mostrar a sua visão do que seria a mente alterada.  Empírico. Wiene propôs: temos a visão normal ou ortodoxa do mundo e aquela visão, em cenários fora de prumo, seriam características das mentes que saem do campo da normalidade. Hoje nos acostumamos com qualquer distorção. Naquela época de entre-guerras, com poderio militar à sua porta, batalhas em potencial, Jung palpitando sobre a síndrome de Odin, a tensão estava, literalmente, no ar. Como Franco ainda não estava no poder podemos aquilatar que Buñuel e seu louco amigo de Cadaqués, o Salvador, criaram sem limites obedecendo as regras (ops) do manifesto surrealista.
Naturalismo – A tela grande, sucedâneo de útero e noite sonhadora, envolve o espectador; vira janela para o inconsciente; caminho que o cinema buscou e obteve, o escuro é sinal de ‘interior da mente’ e se conjuga com o fato de que as imagens podem gerar o fado, investindo assim no campo dos sonhos;   além disso tem o poder coletivo de manifestação e auto/sugestão que pauta Jung no caso do inconsciente das massas. O caminho estava aberto para o inconsciente por força freudiana;  o cinema saia do documentarismo de Lumière para ganhar repercussão real ou metafórica em função daquilo tudo que já ia nas artes plásticas, no teatro e na música, em termos de captação da realidade imediata.
Em João Luiz o projeto cinematográfico  uniu entretenimento e indústria.  O cinema, tão complexo e múltiplo, pode muito bem ser comercial e apresentar técnica refinada. Pode, através de pequenos signos e poucos segundos, mudar a leitura da historia, como é bem exemplo ‘Blade Runner’ e o origami do unicórnio que prova, em 40 segundos na segunda versão, que o policial Deckard é replicante também. Um objeto real remetendo ao onírico.
Buñuel e Wiene, em suas obras, não estariam lançando cartas ao futuro como Villa fez em suas obras musicais. Os novos códigos esclareceriam o teor das cartas? Ou seriam experimentações em si, ali terminadas para testar uma ideia e partir para outra?  As duas obras seriam mais acessíveis se estivessem em cores com interpretação via Actor Studios e distribuição Miramax?
Acredito que reler Buñuel seria inventar outra obra. Releitura de DAS CABINET se fazem às dúzias. Mas em qualquer das produções há alguma  ideologia. Vemos em Buñuel a ideologia de que tudo é livre e possível. Sonhe e será. Nada deve ser submetido à forma ou regra. Nada deve ser dependente de controle e, o autor tem que se munir da liberdade de critica e liberdade de expressão, apesar dos dogmas.
Em DAS CABINET vemos que aquilo tudo que se mostra livre é violento, descontrolado, e deve ser punido. Cesare e seu amor é doentio. No entanto, no final, o sonho e as distorções, voltamos à realidade medíocre,  não passavam de delírios de loucos. Só mesmo os loucos (artistas e criadores?) podem querer a liberdade e o aleatório. E se reserva ao comum controlador punir quem sair dos trilhos.

MODA E FIGURINO EM CALDAS


Chamada de PROCURANDO LUCAS, treiler

Coelho De Moraes

Dario Caldas afirma que os estilistas são antenas aguçadas, mas logo de antemão, sou obrigado a ser contrário a essa idéia. Artistas são antenas, nem sei se aguçadas. Estilistas antenam seu próprio mundo e a estrutura industrial que comporta:  há estilismos enquanto houver capital.  Afirmo, também,  que, antes de antenar,  estilistas forjam desejos, mudanças e perspectiva que nunca existiram. Basta ler DAS KAPITAL onde o pensamento marxista explica a ação do fetichismo e da produção do desnecessário (feitiço) que mesmeriza o consumidor até esgotá-lo. O consumidor é a vítima elogiada.
Lidam com a estética: é inequívoco, bem como os publicitários e os pastores evangélicos, preocupados com sutilezas mas fundamentados no sensível (carnevale) do ser humano... longe do ideal platônico. Trabalham com elementos do quotidiano e em resumo ou redução da moda: a  indumentária exteriorizará idéias e atitudes apenas sob observação ultra/romântica manipulada pela mídia. Jeans é fardamento de trabalhador de estrada de ferro. Em manipulação virou atitude juvenil de liberdade. Na China todos usavam a mesma roupa na Revolução Industrial. E o mundo Ocidental reclamava.  No ocidente todos usam a mesma roupa na Dominação Cultural: o Jeans e é IN. Moda? Atitude? Imposição? Bucha de canhão?
 A roupa que nos cobre, nos cobre para evitar o frio, a nudez (que hoje é ilegal); a maioria dos escritos de camisetas (as palavras de ordem e emblemas) são incompreensíveis a seres humanos por usarem idioma alienígena. Ostentam, os consumidores,  aquilo que o dinheiro lhes permite comprar, muita vez, arremedo do original que aparece na TV; roupa emblemática forma o exército de seguidores do ícone ‘artístico’ recém construído.
Como juntar esse tema de figurinismo e moda com a fragmentação. O próprio segmentar do curso é um reflexo da fragmentação. Mas vejamos os exemplos:
Giacomo Balla – movimento, gestual, velocidade, fragmentação da luz, das imagens pintadas; destruir a imagem sem torná-la completamente abstrata, mas, sabidamente longe de seu natural. As formas, a luz (que sugere dinamismo) e o cromatismo (outra faceta do movimento). Desenhista, contatou impressionistas e neo-impressionistas (fragmentadores contumazes). Assinou o Manifesto Técnico da Pintura Futurista. Depois retornou ao realismo,  escultura e cenografia.
Recurso para representar o dinamismo: simultaneidade, desintegração, repetição.
Idéia:  o observador deve captar, de uma só vez, as sequências do movimento.
Madeleine Vionnet -  Estilista, usava modelos em bonecas, depois  para a escala humana. Corte e drapeado. Muito mais pano para esculpir a roupa. Acabou com o uso do espartilho. Vionnet utilizava tecidos incomuns para a época e lugar. O estilo se tornou atemporal. Mas importa relevar que rompe com o modo de fazer roupa do século 19 e propõe nova linguagem e essa é sua maior contribuição. Romper é fragmentar.
Alceu Penna, mineiro, da arquitetura às Belas Artes. Desenhista, técnica para construir com os fragmentos de rabiscos; rápido, traço ágil, desenhava menus, cartazes, cenários, figurinos, decorações e fantasias, detalhava texturas e tramas dos tecidos.  Ilustrou livros, principalmente, infantis.  Nas revistas abordava temas mundanos, políticos, cinematográficos, esportivos. Foi referência: Referência da moda a ser copiada; difundia modelos em voga, - o que demonstra que a publicidade e o jornalismo ditam a pauta sob a ordem pagante. Jabaculês. Vejo pauta  que promova venda, seja ela qual for.  Referência de sugestões (mesmerismo, sugestão, atitude e atividade subliminar tentando alcançar os fragmentos da mente que se constrói e ali montar uma ‘verdade’, um ‘objeto de desejo’). Frases e atitudes como os bordões dos comediantes de TV, criando modismos forçados, sem qualquer raiz popular, parecendo ser do povo.
Seria, Alceu Penna, perceptível sem a mídia? Quantos Alceus há por ai já sem mídia?
Christian Lacroix, estilista, década de 80, século xx. Simplicidade e minimalismo. Cores vivas, estampas vibrantes, bordados elaborados, misturas de tecidos, silhuetas volumosas trouxeram fôlego à indústria da moda, - e é interessante notar o viés obrigatório entre essas Casas e a indústria que comanda. A indústria construirá realidades inexistentes, não naturais, modus viviendi obrigatório. Para atingir o público de classe não abastada surge o resumo plug and play da moda:  o Prète-a-Porter. Moda para homem e mulher. Perfume. E tome euro.
Uma exposição da obra de Lacroix quer demonstrar que o figurinismo e arte têm o mesmo sabor. Mas isso me parece vender Picasso às dúzias copiados na gráfica da esquina. Ou seja, usando toda a vertente de mídia e de trabalho de alta mídia para que a indústria pudesse auferir os dividendos dos investimentos aplicados. Não fosse assim por que fazer essas roupas se Van Gogh, notório fragmentador... bem deixa para lá... deixemos o irmão a comprar seu único quadro e voltemos à indústria.
Luxo, fantasia, audácia são palavras heróicas. Representam mesmo a obra de Lacroix ou serão palavras que dinamizam a venda?
O mundo é fragmentado. Aquilo que nos parece inteiro é formado de pedaços. E de pedaços construímos os relativamente inteiros. Em qualquer vertente de arte ou indústria.

sábado, 1 de outubro de 2011

A (RE) CRIAÇÃO NO PALCO.


chamada para o 'caso do 3 pimenta' com  Tiago Pereira e Claudinei Costa

Coelho De Moraes

Primeiro lá se vão os valores da crença. Depois acredito que a civilização já se foi criada por acidente, num longo processo, e é, hoje, mundo artificial, em relação aos caminhos que natureza tomaria por si só. Daí que a fantasia humana de representar, re-apresentar, nada mais do que a cópia dos constantes DeVir. O teatro deve durar para sempre pois é reflexo do constante mudar da natureza. Sempre com a interveniência humana. Essa formação livre a partir de algum acidente ou acaso é que levou a civilização a ser o que é. O ser humano toma dessas informações e rearticula tudo no palco, na musica, na arquitetura, nas artes.
Mas estamos, como já disse,  num constante DeVir. A mutação articulada pelo fazer humano causa novas mudanças e tudo parece organizado em mudanças constantes. Porém surge o engano da manutenção do estado. Há reações, - os reacionários percebem que seu mundo mudou e não querem nada disso... agem pois as mudanças são sempre diferenciáveis e causam problemas.
É isso o que nos faz individualizar. O reacionário é bandido, age em bando, é o adolescente da gangue, o reacionário é infantil, pueril. O que nos faz crescer, desenvolver e depois cair. Há processo nesse movimento. E ele se repete com todo mundo.
Contudo, a criação humana, dentro da civilização que lhe é prisão, visa tentar explicar o que deu errado nos primórdios quando os deuses eram nosso primos diretor e moravam ali na esquina. Dizem que houve época em que os deuses andavam conosco pela terra. O que é que deu errado? Somos muito chatos?  O mal estar imperante na civilização advém da constatação do tédio que causamos aos deuses? Outros dizem que os deuses nunca existiram. Nenhum deles e que não passam das máscaras com as quais o artista sobe ao palco. As formas artísticas são buscas desta correção. O produzir, criar e moldar são reflexos da imagem de um deus inexistente que um dia criamos.
Acredito que a catarse, ou o "caimento da ficha" Aristotélico pode até rolar numa platéia e dali a única coisa a ser produzida será a modificação daquela pessoa ou sua conduta dai em diante. Servirá o teatro para isso? É atividade educadora? Alarmista? Instigadora?
Para o artista no entanto, se este produz dentro fórmulas e rótulos não haverá catarse. Quando o novo advém,  será novo até para o criador, este tem que se emocionar com isso, sendo novo será inexplicável e será assombroso também para quem cria.
Alguns assuntos são sempre repetidos. Sobre essa coisa de sentir, por exemplo.  Tirando o fato de que sentimos o tempo todo pois somos matéria,  e é ela quem sente, tudo tem que passar pela estética (esthesis sensibilidade do corpo).  Manuel de Barro é poeta mas não fala de coisas das emoções como valores maiores. Para ele o que vale é a praticidade do objeto ou da funcionalidade da coisa. Para ele muito menos poesia é falar de rosa e muito mais é falar de alicate e borracha. Terá o teatro e o texto dramatúrgico caminho similar? Terá mele que nos dar constantes lições de moral ou também será ninho de disparidades e questionamentos coletivos? Será vitrine?
Penso também que nada criamos, apenas reciclamos as proposições e fazemos múltiplas releituras, daí as repetições de pensamentos, palavras e obras. Nada há de original em ‘fusions’, por exemplo, pois é pratica que se executa há milênios: misturar tendências, mas em graus pequenos ou quantidade conta gotas.
Muita vez a eclosão da iluminação já se deu em algum lugar há muito tempo mas o iluminado não tem acesso a mídias e passou despercebido. É uma questão lugar e oportunidade.
Acredito que criar sob os efeitos da civilização que já havíamos criado, ou pelo menos, participado da criação, da construção, mesmo sem saber... é chover no molhado ou no mínimo rever o que lá já está. É copiar o que já existe. Todo o aspecto da cultura é aspecto do campo artificial. A realidade é artificial. Nem tenho muita certeza de que somos seres conscientes pensantes ou apenas jogamos com os dados que nos foram dados. Quando pisamos o palco elaboramos trejeitos e mímicas. O mimo é a copia da aparência e não da profundidade: Stanislavisky pode ser deixado de lado?
O mundo das idéias e a questão do demiurgo, na minha pobre concepção, são apenas substitutos dos deuses do Olimpo, já por si rarefeitos. Uma espécie de recriação da mesma idéia com roupagem acessível ao governante que é apedeuta. Prefiro a proposta de que não há tal mundo de idéias nem  há modelo perfeito a ser seguido, mesmo por que tal pensamento foi capturado pelas hordas cristãs e transformado em céu e em inferno.
Fico com a proposta de Michel Onfray e da realidade como modelo único e a busca da perfeição um modo de superar a realidade. A cada peça uma proposta. Na mesma peça a mudança da proposta a cada dia.

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